Uma das razões que me mantém ainda em terapia e acompanhamento é tentar perceber o porquê de insistir ficar onde não há movimento.
Talvez porque os sentimentos, as sensações, as emoções e os lugares são familiares. Familiares demais, ao ponto de não nos permitirmos ir, onde ficar é mais confortável e exige ao outro menos esforço.
Percebi que o sentir é a chave da nossa procura por nós próprios.
Até que ponto devemos aceitar o mínimo só porque ao outro não exige esforço?
Até que ponto espelhamos e atraímos as ausências que connosco existiram, ou calamos a nossa voz por medo da perda, só porque o silêncio se torna casa?
No movimento controlado da minha respiração entendi que o silêncio traz maturidade e a resposta que tanto procuramos: o que para nós é realmente aceitável.
Por fim, entendemos que há escolhas que já não podem ser mais adiadas. Há escolhas que não necessitam explicação, quando na realidade o silêncio as sustenta.
Apenas e só permanecemos, ouvindo em silêncio e sentindo o que nos é leve, o que nos conforta, o que nos acolhe. O amor que fica é o que permanece com toda a sua força. É o que se sente.
E eu, finalmente, permito-me sentir.
Permite-te sentir.
Sofia F.
27/04/2026